Lendo uma blockchain com exploradores públicos · Aula 3 de 8
Por dentro de uma transação de Bitcoin: entradas, saídas e troco
5 min de leitura
O ID da transação
Toda transação tem um ID da transação, geralmente abreviado como TXID (os exploradores de Ethereum o chamam de hash da transação). É uma cadeia hexadecimal de 64 caracteres calculada a partir dos dados da transação; portanto, na prática, cada transação tem seu próprio ID. O TXID é a informação mais útil a pedir quando alguém diz que enviou um pagamento para você: cole-o em um explorador e confira os detalhes por conta própria, em vez de confiar em uma captura de tela.
Os valores em Bitcoin são exibidos em BTC ou em satoshis (sats), a menor unidade. Um bitcoin equivale a 100.000.000 satoshis.
O Bitcoin não tem saldos de contas
Se você está acostumado a contas bancárias, o Bitcoin funciona de uma maneira surpreendente. A blockchain não armazena um saldo para cada endereço. Em vez disso, armazena saídas de transação não gastas, ou UTXOs.
Uma boa maneira de imaginar isso é pensar em uma carteira cheia de cédulas:
- Cada saída de uma transação é como uma cédula com um valor e uma trava. A trava indica qual endereço (mais precisamente, qual chave) pode gastá-la.
- Para pagar alguém, você entrega cédulas inteiras como entradas. Não é possível rasgar uma cédula ao meio.
- Se as cédulas entregues valerem mais do que o pagamento, você recebe troco, na forma de uma nova saída enviada de volta a um endereço que controla.
O “saldo” que um explorador mostra para um endereço de Bitcoin é simplesmente a soma das saídas não gastas vinculadas a esse endereço.
Entradas, saídas e troco
Veja um exemplo detalhado. A carteira de Ana contém duas saídas não gastas: uma de 0,30 BTC e outra de 0,25 BTC. Ela quer pagar 0,50 BTC a Bruno.
| Valor (BTC) | |
|---|---|
| Entrada 1 (saída anterior para Ana) | 0,3000 |
| Entrada 2 (saída anterior para Ana) | 0,2500 |
| Total de entradas | 0,5500 |
| Saída 0: para Bruno | 0,5000 |
| Saída 1: troco de volta para Ana | 0,0498 |
| Total de saídas | 0,5498 |
| Taxa (total de entradas menos total de saídas) | 0,0002 |
Três pontos se destacam:
- As duas entradas são gastas integralmente. As duas saídas antigas de Ana deixam de existir como moedas não gastas após essa transação.
- O troco é uma saída comum. Na blockchain, ele se parece com um pagamento, por isso os exploradores precisam estimar qual saída é o troco.
- A taxa não é registrada em nenhum lugar. Ela é a diferença entre o que entra e o que sai. Os exploradores a calculam e a exibem para você. Se uma carteira se esquecesse de adicionar uma saída de troco, toda a diferença iria para o minerador como taxa.
Como os exploradores exibem uma transação de Bitcoin
Em geral, os exploradores mostram as entradas à esquerda e as saídas à direita, com uma seta entre elas. Para cada parte, você pode esperar:
- Entradas: o endereço e o valor de cada saída anterior que está sendo gasta, com um link para a transação que a criou. Seguir esses links permite rastrear os fundos para trás.
- Saídas: cada endereço de recebimento e seu valor, numerados a partir de 0. Cada saída é marcada como não gasta ou gasta, e uma saída gasta contém um link para a transação que a gastou. É assim que você rastreia os fundos para a frente.
- Resumo: TXID, status (não confirmada ou confirmada, com a altura do bloco), taxa, taxa por unidade de peso, tamanho e o horário em que foi vista pela primeira vez ou confirmada.
Como distinguir pagamento de troco
Como as saídas de troco se parecem com pagamentos, os exploradores e analistas recorrem a heurísticas — regras práticas que muitas vezes estão certas, mas nem sempre. Algumas pistas comuns:
- Valores redondos: no exemplo, 0,50 BTC parece ser o pagamento pretendido, enquanto 0,0498 BTC parece ser o troco restante.
- Tipo de endereço: o troco costuma ser enviado a um endereço do mesmo tipo dos endereços das entradas (por exemplo, ambos começam com bc1q).
- Endereços novos: carteiras modernas enviam o troco para um endereço novo, que nunca foi usado.
Alguns exploradores destacam a provável saída de troco. Considere isso uma indicação, não um fato. Rastrear fundos corretamente e saber quando as heurísticas falham faz parte do programa IDFE Certified Blockchain Analyst.
Outros padrões que você encontrará
Muitas saídas (pagamentos em lote). Corretoras costumam pagar centenas de clientes em uma única transação para economizar em taxas. Você pode ver uma ou duas entradas e uma longa lista de saídas.
Muitas entradas (consolidação). Uma carteira que acumulou muitas saídas pequenas pode combiná-las em uma saída maior quando as taxas estão baixas.
A transação coinbase. Como você viu na lição anterior, a primeira transação de cada bloco não tem uma entrada comum. Os exploradores mostram a entrada como “coinbase” ou “moedas recém-geradas”.
Saídas de dados. Algumas saídas carregam dados em vez de valor, usando uma instrução chamada OP_RETURN (tradicionalmente limitada a 80 bytes por padrão). Seu valor geralmente é zero, e elas nunca podem ser gastas. Os exploradores costumam exibir os dados como texto, se forem legíveis.
Não confirmada versus confirmada
Uma transação que foi transmitida, mas ainda não foi incluída em um bloco, é não confirmada. Os exploradores a exibem com um status como “pendente” ou “não confirmada” e sem altura do bloco. Quando um bloco a inclui, o explorador mostra a altura do bloco e começa a contar as confirmações. A próxima lição explica o que determina a rapidez com que isso acontece.
Foco no exame: o que é um TXID e por que você deve pedi-lo; o modelo UTXO (as saídas são gastas integralmente e o troco retorna como uma nova saída); como a taxa equivale ao total das entradas menos o total das saídas; como ler entradas e saídas em um explorador (saídas gastas e não gastas, links para trás e para a frente); e por que identificar o troco é uma questão de heurística.
Questões de prática
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